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Agrotóxicos à mesa – mudanças climáticas e Pandemia

Agrotóxicos à mesa – mudanças climáticas e Pandemia

 

Agrotóxicos à mesa, mudanças climáticas e Pandemia. Nazistas na mídia. População negra sendo eliminada. Fome e desemprego. Gasolina e inflação, mas e dá ai!? Afinal, hoje tem BBB.

A sociedade civil brasileira vem demonstrando resultados significativos dos não investimentos em educação deste país.

Quando se fala em educação, estamos falando de uma educação baseada na “razão crítica”.

Característica fundamental da Escola de Frankfurt no séc. XX, que por coincidência considerava as mídias de sua época como instrumento de controle e manipulação  dos agentes sociais, transformando tudo ao seu redor em mercadoria para ser consumida. Os frankfurtianos procuraram compreender como as mídias do seu tempo intervieram diretamente no comportamento da sociedade, seja no aspecto político, social, econômico e cultural.

 

Dois grandes representantes dessa escola: Theodor Adorno e Max Horkheimer, criadores do termo “indústria cultural”. Termo utilizado para caracterizar uma forma de percepção uniforme de consumo estético padronizado nos alertaram do que estaria por vir:  Uma sociedade voltada ao entretenimento.

 

 

Theodor Adorno                                                                 Max Horkheimer

 

No Brasil do sec. XXI não é diferente, as mídias propagam e difundem candidatos incompetentes e inaptos aos cargos pleiteados. Exemplo da última eleição presidencial de 2018. Além disso, apresenta as barbáries que vem nos acometendo como questões “normais” de uma sociedade que está procurando se organizar, se estruturar diante dos novos desafios do mundo contemporâneo.

De fato, o Brasil tem procurado sua identidade civil, desde 1824 com sua primeira constituinte. De lá pra cá demos passos significativos, porém estamos distantes de sermos uma cidadania concreta mediada pela democracia e o bem comum.

O Governo Bolsonaro, considerado um mito por alguns e fascista por outros, tem usado com muita perspicácia os veículos midiáticos de hoje. As propagações de fake news comum a sua estratégia, ainda alimenta com precisão seu eleitorado, sem contar o negacionismo científico, usado em vários territórios do planeta para favorecer uma suposta ideia de ordem social e progresso.

Muito contraditório, afinal ordem e progresso são termos pertencentes à maior corrente cientificista do final do séc.XIX, o Positivismo. Contudo, compreender e entender termos e conceitos  não são práticas comuns ao seu eleitorado, então está “tudo ok”!

Além das violências recentes e históricas contra a população negra, população indígena, a liberação de agrotóxicos, cidades ilhadas, pessoas desaparecidas e mortas decorrentes das chuvas, temos a ômicron  e a inflação descontrolada. Para completar,  recentemente apareceu o youtuber “Nazi” manifestando sua simpatia para com um dos regimes mais cruéis da História da humanidade através de seu veículo de comunicação. Lembrando que os regimes totalitários tinham como arma fundamental os veículos de comunicação de massa da sua época. É assustador essa “pátria armada Brasil”!

Contudo, a sociedade civil brasileira ainda é jovem, tem muito o que aprender, estudar e exigir. Exigir que esses que fazem, defendem e propagam a violência devem prestar contas à justiça, pois o que mais assusta não é ter pessoas que alimentam esse mal da ignorância, mas sim que tais pessoas não sejam punidas pelo mal que fazem.

Em 1849, o filósofo norte americano Henry David Thoreau escreveu um ensaio intitulado “A desobediência civil”. Thoreau escreveu o livro após ter sido preso por não pagar seus impostos que financiavam a guerra contra o México da qual ele discordava.

Henry David Thoreau

A desobediência civil é um conceito que defende o desrespeito a uma lei por parte da população, se essa lei é vista como injusta. É uma forma que grupos minoritários, ou aqueles que não são ouvidos no processo político, encontram de participar dele e, portanto, é um instrumento que pode ser utilizado pelos cidadãos para garantir a sua cidadania.  É caracterizado como uma ação não violenta e visa a transformação social. Ex: Ghandi na Índia e Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos. Esta, talvez seja uma boa estratégia para combatermos tanta injustiça nesse país.

 

Mahatma Ghandi                                                             Martin Luther King Jr

 

Para tanto, temos que ter “consciência crítica” adquirida, em sua maioria, no processo educativo, especialmente nas escolas, através de um diálogo democrático entre estudantes e docentes, tendo como norte nossa constituinte na missão não de simplesmente “formar” um cidadão, mas libertá-los dos mecanismos que os controlam. Seja do BBB, rádio ou das redes sociais, quando esses são usados para manipular nossas ações e corromper nossas vidas.

 

Para saber mais:

ADORNO, Theodor W. ; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.

THOREAU, Henry David. A desobediência civil. São Paulo: Cia das Letras, 2012. 152 p.

 

Para conferir outras matérias de Neimar Oliveira, acesse o link abaixo:
https://libertasnews.com.br/category/colunas/vida-e-filosofia-neimar-oliveira/

Por Neimar Oliveira

 

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