Cícero Miranda – trajetória de desafios – pesquisas e criatividade

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Cícero Miranda – trajetória de desafios – pesquisas e criatividade

Cícero Miranda – trajetória de desafios – pesquisas e criatividade

 

Cícero Miranda nasceu em Timóteo, mas viveu sua infância e adolescência na cidade de Marliéria, também no Vale do Aço, Minas Gerais. Mora desde 2001 em Vespasiano, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Artista Visual com bacharelado em gravura pela Escola de Belas Artes/ UFMG. Atua também como diretor de arte, cenógrafo, figurinista, aderecista e professor de artes.

Como parte de sua trajetória fez as exposições individuais “Imprecisões” – Galeria de Arte Sesiminas – BH/MG, “Impressões Tecidas” – Galeria de Arte Passarela Cultural – anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, BH/MG, “Urdidura” – Galeria de Arte Sesiminas – BH/MG e tem como principais coletivas “Ao Avesso” – Verão Arte Contemporânea – Espaço Mari’Stella Tristão do Palácio das Artes, Belo Horizonte/MG, Mostra Internacional de Gravura Imprima Sobral 2012 – Sobral/CE, Mostra “1 Pessoa 10 Cadeiras” – IV Bienal Brasileira de Design – Serraria Souza Pinto – BH/MG entre outras.

 

Como cenógrafo e figurinista, tem como principais trabalhos os Espetáculos “Madame Satã” (em parceria com Débora Alves) com direção de João das Neves e Rodrigo Jerônimo, “Boa Noite Cinderela “com direção de Inês Peixoto, “Cachorro Enterrado Vivo”, “Gostôsa” e  “Luzia, entre o mangue e o mar “com direções de Marcelo Do Vale. Recebeu o 3 Prêmio Copasa Sinparc em Artes Cênicas – Melhor Cenário de 2015 – pelo Espetáculo “Cachorro Enterrado Vivo”.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 – Como a arte entrou na sua vida?

Durante minha infância, em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais chamada Marliéria, lembro que eu gostava de brincar de teatro, de desenhar, de dançar e ficava impressionado quando via manifestações culturais como o congado e o “Boi balaio”.

Quando adolescente cheguei a criar um bloco de carnaval, eu era uma espécie de carnavalesco, pesquisava um tema, idealizava e executava muitas das fantasias e carros alegóricos. O barracão desse bloco funcionava no quintal da minha casa, onde eu contava com a colaboração de amigos e minha família; meu pai construía as estruturas dos carros alegóricos, minha mãe costurava parte das fantasias, meu irmão fazia engenhocas eletrônicas bem funcionais para as alegorias e todos nós organizávamos e trabalhávamos o ano todo para fazer o desfile de carnaval.

Ser artista, estudar e buscar viver de arte era uma realidade muito distante para mim. Só quando terminei o curso técnico em Segurança do Trabalho e notei que não queria exercer a profissão é que resolvi arriscar a vir para Belo Horizonte para tentar fazer Belas Artes.

Inicio minha pesquisa plástica antes mesmo de ingressar na faculdade. Com um rolinho de fio de cobre retirado de equipamentos eletrônicos, que eu havia trazido da oficina de meu pai, e com uma caixa de leite longa vida como suporte, eu comecei meus primeiros bordados em forma de objetos. Surgiu assim uma série de livros e de outros objetos em miniaturas urdidos em fios de cobre. Entendo que nesse momento comecei a fazer arte e a pesquisar arte.

2 – Qual a importância da inspiração e da pesquisa em seu trabalho?

Meu trabalho nasce da observação de ofícios como a costura, o bordado, o crochê e a gravura, principalmente a xilogravura e a gravura em metal. Esses processos me fascinam. Pesquisar, procurar referências, aprender, exercitar e desenvolver técnicas; são buscas diárias e fundamentais para o desenvolvimento do trabalho em arte, é o que acredito e que tento colocar em prática.

 

3 – Você tem algum (a) artista como referência em seu trabalho?

Tenho como principal referência a artista plástica, pesquisadora e professora Daisy Turrer. Daisy dedica-se aos estudos sobre a imagem, a escrita e o livro e às pesquisas sobre os desdobramentos da gravura em instalações, fotografias, objetos e edições.

Fui aluno dela em 2005 na disciplina de “Impressão” na Escola de Belas Artes/ UFMG e a partir de suas aulas me interessei em fazer o Bacharelado em Gravura. Em 2006 fui selecionado para ser monitor dessa mesma disciplina, função que ocupei por três anos, tendo ela como mentora. Tive a professora Daisy Turrer como orientadora em meu TCC e desde então trabalho como assistente em seu ateliê e nas montagens de suas exposições. É um privilégio  tê-la como referência e poder acompanhar de perto seu trabalho.

4 – Você é um multiartista, isso fica evidente quando observamos seu trabalho.

Acho seus cenários de uma visualidade incrível, pode-se considerar quase uma pintura. Como você organiza tudo isso na sua vida e na cabeça? Ou é uma mistura?

Todo trabalho que idealizo e executo, tanto no teatro, em vídeo ou nas artes visuais, tem como base o mesmo universo de referências e linguagens. Quando realizo um cenário, um figurino penso e componho esse projeto como se fosse uma gravura, uma escultura, uma instalação, uma exposição. Utilizo o que aprendi na academia, elementos de minha pesquisa e busco outras referências no cinema, na literatura, em clipes musicais, na moda, nas festas populares, no artesanato, na ciência e em tudo que me cerca.  Acredito que quanto maior for nosso repertório referencial, mais rico se torna o trabalho artístico.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 – Quais as dificuldades de trabalhar com arte?

As dificuldades são muitas e começam pela própria valorização que se dá à arte, ao profissional e ao ensino de arte em nosso país. É e sempre foi muito difícil trabalhar com arte e cultura em nossa sociedade. A arte questiona e faz questionar, nos provoca, nos conduz a ter pensamento crítico, nos une em torno de objetivos comuns. Uma população que consome e produz cultura e arte não será facilmente manipulada e subjugada. Vejo esse aparente descaso com arte, como algo planejado.

 

5 – Quais suas expectativas para o futuro, com sua arte? Você mudou sua forma de pensar por causa da pandemia?

A arte sempre resistirá., mas acho difícil imaginar como será o seu futuro. Não existe arte sem o risco, então vou procurar continuar arriscando, fazendo novas parcerias, experimentando outras linguagens.

Nesse momento de pandemia me modifiquei bastante e acredito que meu trabalho sofrerá mudanças também. Procurei olhar com mais cuidado para meu percurso, organizei meus projetos, estudei e dessas atitudes nasceu uma série de estudos onde utilizo o meu quintal como ateliê.

Essas pesquisas afetaram também meu trabalho como professor. Nos últimos anos tenho desenvolvido atividades de formação como cursos e oficinas que são desdobramentos de minha pesquisa em artes visuais. Um dos cursos desenvolvidos e que ministrei esse ano foi o “Pintura e Impressões Bordadas “na Escola de Artes Capitão Carambola – Prefeitura Municipal de Vespasiano. Tivemos duas aulas presenciais no início do ano, mas com o isolamento social por consequência da pandemia as aulas presenciais foram suspensas. Depois de algumas semanas e muitas adaptações comecei a ministrar o curso virtualmente. As videoconferências foram semanais, os textos e imagens, que serviram como referências, foram enviados por PDF e assim, nos adaptando fomos construindo juntes o nosso trabalho. Pesquisamos o bordado com diversos tipos de linhas, a pintura com tintas de pigmentos naturais produzidas por nós e a impressão utilizando folhas, galhos e outros elementos naturais como matriz.

Apesar da distância física nossa união aumentou. Com o final do ano letivo e já nas avaliações finais, notamos que iríamos sentir falta dos nossos encontros virtuais, de dar continuidade à pesquisa, de continuar a viver essa experiência. Vi que era o momento de propor uma ideia que me perseguia a anos, a criação de um coletivo. O grupo já existia, as trocas de técnicas e de experiências já eram frequentes, só faltava pensar numa organização. Assim nasceu o “Coletivo fios entre fios”. Um coletivo unido pelo afeto e pesquisa em bordado, pintura e impressão.

 

Redes sociais:

https://www.instagram.com/ciceromiranda.arte/

https://www.instagram.com/ciceromiranda.atelie/

https://www.instagram.com/coletivo.fiosentrefios/

https://www.youtube.com/watch?v=O_LJx5TiUbM

 

Para acessar outras matérias da colunista Ana Gomes, acesse o link abaixo:

https://libertasnews.com.br/category/alem/

 

10 Comments

  1. Loren disse:

    O Cícero é incrível como pessoa, Artista e Professor. Muito bacana saber sua trajetória e inspirações.
    Sabemos da desvalorização da arte e cultura em nosso país, mas acreditamos que a mudança vem de pessoas como ele.
    Sucesso!!

  2. Sônia Maria Ribeiro disse:

    Que entrevista linda. Conheci Cícero na Escola de Arte Capitão Carambola em Vespasiano , fui aluna presencial por dois dias, depois virtual e foi muito bom, evoluímos para o “coletivo fios entre fios” , mas cada dia este artista vai se desnudando, e mostrando sua arte de uma forma singular. Parabéns Cícero

  3. Ticha disse:

    Parabéns. Tá linda essa entrevista. Cícero é um lindo. E esse portal que eu não conhecia gente? Amei. Ticha

  4. Ana Maria Faleiro disse:

    Grande ser humano, centrado, sensível, doce e muito, muito talentoso. A pessoa que mais senti falta da presença física nesta pandemia.

    • Elmo.colunista disse:

      Muito obrigado pela Ana Maria Faleiro, sua participação é muita importância para nós. Fique a vontade para conhecer outras histórias no Portal e volte sempre.

  5. Poeta Xandu disse:

    Parabéns Cícero, desde o meu 1º contato com sua arte foram mesmo os livros-objeto que mais me cativaram, depois o deslumbre com a cenografia, você é primoroso em tudo que faz, muita luz em ti, merece o mundo, evoé!

  6. Aline Cota Lopes disse:

    Além de um amigo, é um grande artista. Que entrevista!!! Muita sensibilidade e seu trabalho transmite isso. Vivências, assim como ele tece os fios , histórias são apresentadas.

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