Mazzaropi – O gênio do cinema caipira!

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Mazzaropi – O gênio do cinema caipira!

Mazzaropi – O gênio do cinema caipira!

 

“Mazzaropi retratou o homem do campo, sonhou e criou uma indústria cinematográfica para chamar de sua. Desaprovado pela crítica, foi sucesso de público e está na memória nacional”.

“Um viva ao genial Amácio Mazzaropi!”

(Andréia de Oliveira)

 

Amácio Mazzaropi é o nome do nosso eterno caipira “Jeca Tatu”, nome de seu maior êxito de bilheteria no Brasil. Desde 1952 com o seu primeiro filme Sai da frente, até 1980, com seu último trabalho em Jeca e a Égua milagrosa, esteve nas telas com o mesmo tipo, o “Jeca”, somando um total de 32 filmes, deixando o inacabado Maria Tomba Homem.

 

 

Com filmes como Sai da Frente (1952), Jeca Tatu (1959), Tristeza do Jeca (1961), O Corintiano (1966), O Jeca e a Freira (1967), Mazzaropi foi campeão de bilheteria e deixou como legado um sonho de uma indústria cinematográfica brasileira.

 

 

Mazzaropi nasceu em São Paulo aos 09 de abril de 1912, e faleceu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos. Sua veia artística já era evidente nas apresentações desde as festinhas escolares, aos 5 anos de idade, à artista de circo, aos 14 anos. Integrou a equipe do Circo La Paz, antes de enveredar para o cinema.Teve experiência teatral com o espetáculo “A Herança do Padre João”, e breve passagem de sucesso pela rádio e pela TV Tupi, com o programa Rancho Alegre.

 

Sua estreia no cinema foi com o filme Sai da Frente (1952), realizado na época pelos estúdios Vera Cruz, e ainda produziria, até 1958, mais cinco filmes por diversas produtoras. Nesse mesmo ano, vende sua casa e arrecada um valor que o possibilita criar a PAM Filmes (Produção Amácio Mazzaropi), passando a produzir e distribuir suas obras. Em 1961, construiu em sua fazenda em Taubaté o estúdio de gravação, que mais tarde teria uma oficina e até um hotel para atores e técnicos. Neste estúdio, realizou seu primeiro longa em cores, Tristeza do Jeca, onde o herói vira cabo eleitoral de políticos inescrupulosos. O filme Jeca o Macumbeiro (1975), alcançou a maior renda do cinema nacional –  Cr$10.573.277,84 e foi visto por 2.530.306 espectadores.

 

Não é por acaso que Mazzaropi fez sucesso. O sucesso aconteceu porque seus filmes abordavam problemas concretos que faziam parte da vida do imenso público que assistia aos seus filmes. Não se devia apenas às suas expressões careteiras e andar desengonçado, mas também porque ele expunha na tela as vivências e dificuldades de seu público fiel. De forma simplista, direta e sincera, falava às plateias, transmitindo ao espectador uma certa cumplicidade.

A crítica sempre desaprovou Mazzaropi e o seu cinema, e, ao mesmo tempo, mostrava-se intrigada com o enorme sucesso de bilheteria de seus filmes, tentando decifrar o mistério de seu êxito. Críticos como Flávio R.Tambelline escreveu, no Jornal do Brasil, em agosto de 1976, um ano após o filme Jeca o Macumbeiro alcançar a maior renda do cinema nacional: “Não importa quão maquetista sejam suas histórias ou esquematizados sejam seus personagens. O que interessa é o diálogo público/protagonista”. O crítico José Carlos Avelar, em 1973, também no Jornal do Brasil disse: “Ele é sempre amado pelas crianças e puros de coração. E na vitória do seu personagem desajeitado e sentimental corintiano devoto de São Jorge, amigo dos animais, há uma indireta, uma promessa de paraíso, promessa de que esta terra ainda se tornará um roseiral.” Já Ely Azevedo no mesmo jornal, em 1978, expressou: “Cabe somente este fenômeno, embora sem a força histriônica de um Oscarito – Há alguém que não deixa morrer a tradição da pornochanchada”.

 

Este é o cinema Mazzaropi, meus caros leitores, atraindo multidões, as multidões que se identificam com os problemas apresentados na tela: O trabalhador oprimido, os problemas da terra à questão agrária, da opressão dos latifundiários aos camponeses, dos intermediários entre o pequeno produtor agrícola e o grande mercado, das relações de família, marido e mulher, pais e filhos, das religiões populares, do racismo… Há momentos contundentes nos seus filmes, como Mazzaropi enfrentando o delegado de polícia, fazendeiro e políticos, no filme Jeca e seu filho preto (1978), cujo tema aborda a questão do racismo e contém uma declaração de seu personagem sobre a exploração: “o fazendeiro ganha no nosso trabalho e no aluguel de nossa casa”. No filme, o fazendeiro quer impedir o casamento de sua filha branca com o filho preto de Jeca. Já no filme Jeca e a Égua milagrosa, seu filme derradeiro (1980), traz a história de dois políticos fazendeiros sem escrúpulos que tentam conquistar o voto de “Jeca” e dos moradores da cidade a qualquer custo. Um dos fazendeiros, num ato extremo, para atrair votos, diz ter uma égua com poderes milagrosos de cura. Mas, não se engane pelas temáticas levantadas por Mazzaropi em seus filmes. O cinema de Mazzaropi é reacionário e conservador. Isso já é sabido. Contudo, é importante evidenciar que este “cinema” só é eficiente no seu conservadorismo por apresentar um nível de consciência que adere ao seu fiel público, baseando-se em problemas reais e vividos por este público em seu cotidiano.

 

Foram muitas teorias a respeito do sucesso de Mazzaropi, e a melhor maneira de tirar a dúvida, é escolher um lado para se posicionar nesta discussão, e, sem dúvida, assistindo a alguns de seus 32 longas.

Há muitas outras formas de abordagem quanto ao cinema feito por Mazzaropi, mas sempre restará uma certeza de que o cinema de “MAZZA” é um cinema político atuante.

Mazzaropi foi cantor, ator, humorista e cineasta brasileiro. Conseguiu dominar a tríplice fórmula do empresariado do cinema: produção, distribuição e exibição de seus filmes. É considerado o maior cômico do cinema brasileiro.

Que a verdade seja dita – é dele o cinema mais popular feito no Brasil.

 

Bons filmes e até a nossa próxima coluna “Sala de cinema”.

E arte na vida sempre!

 

Onde assistir os filmes de Mazzaropi:

FOCUS Vídeo – mídia DVD

TV Brasil

Now, Vivo Play e Amazon Prime Video

 

Bibliografia:

http://portais.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/atores-do-brasil

https://www.papodecinema.com.br/filmes

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2009

https://www.museumazzaropi.org.br/sucesso

 

 

Por Andréia de Oliveira

 

Leia mais colunas de Andreia S. Oliveira, sobre outros filmes. Acesse o link abaixo:

https://libertasnews.com.br/category/sala-de-cinema/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9 Comments

  1. Ângela+Oliveira disse:

    Andréia adorei o seu texto e realmente Mazzaropi foi uma figura marcante na história do cinema brasileiro e soube contar como ninguém a vida do cidadão do campo, e criou um ícone o nosso famoso Jeca tatu. Enfim você sempre nos trazendo memórias do que há de melhor e eterno no nosso cinema nacional. Parabéns!!!!

  2. Aníbal Luiz Freitas Alvarenga disse:

    Andréia, brilhante como poucos, apresenta aos jovens nosso Jeca Tatu, que de uma forma pseudo-simplória, apresentou os diversos e eternos problemas deste país.
    Andréia, um grande prazer passear por seus textos fabulosos.
    Parabéns

  3. Don Glauco disse:

    Brilhante e maravilhoso texto sobre o Mazzaropi muito bem colocado pela incrível Andreia!!! Parabéns pela coluna de cinema!! E pelas boas escolhas de temas que sempre nos faz refletir e melhorar nosso conhecimento!! Obrigado ao Libertas News por ter tão brilhante colunista! E obrigado à Andreia por mais esse prazer literário e cinematográfico que nos proporciona!!! Beijos enormes!!!

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