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O discurso de Rômulo

O discurso de Rômulo

Rômulo deu uma declaração emocionada e emocionante sobre a presença de parte da torcida cruzeirense no Mineirão na partida contra o Confiança na última sexta feira. Após o time apresentar maior volume de jogo diante de um Confiança combalido, o volante/lateral dividiu com a torcida os louros da vitória. Ansioso para finalmente se conectar com a torcida celeste de forma positiva, Rômulo escorrega ao incorporar uma dose generosa de clubismo ao seu discurso.

Não é verdade que os Cruzeirenses se comportaram de forma exemplar. Era possível notar pessoas sem máscaras e muito próximas umas das outras nas arquibancadas, principalmente durante a comemoração do único gol da partida marcado por Marcelo Moreno.

Após os dois testes mal sucedidos de tentativa de retorno seguro de torcedores aos estádios da cidade é fácil constatar o óbvio. Falar em retorno de público aos estádios hoje em qualquer cidade do país não faz o menor sentido independente da camisa. A prefeitura de Belo Horizonte faz bem em retroceder nesse aspecto. Teria se saído melhor se nem tivesse tentado, afinal essa experiência vai contra as orientações de infectologistas com autoridade no assunto. Existe muita pressão para que a segurança das pessoas fique em segundo plano desde o início da pandemia.

Muitas declarações foram feitas repercutindo a atitude do executivo municipal. Muitas com questionamentos razoáveis. O que não é nem um pouco razoável é reduzir o esforço descomunal que tem sido feito para salvar vidas a uma mera disputa entre torcidas. Rômulo perdeu um oportunidade de se conectar de forma mais profunda com o torcedor que, como sempre, é quem mais sofre com a negligência de seus governantes.

No dia em que o clube relembra, através do lançamento de sua terceira camisa, sua história de resistência contra governos antidemocráticos, Rômulo, assim como muitos torcedores, jogadores e dirigentes do clube, ignoram uma das maiores lutas de nossa sociedade contra os retrocessos de uma gestão autoritária que negligencia um direito fundamental do cidadão brasileiro, o direito a vida. Uma luta muito semelhante a luta de Italianos que viveram o período entre guerras no Brasil e que em Belo Horizonte fundaram o clube onde hoje joga o ítalo-brasileiro.

 

Por Fabiano Simões

 

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https://libertasnews.com.br/category/colunas/o-futebol-das-coisas-fabiano-simoes/

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