O Telefone

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O Telefone

Hoje o telefone toca e ninguém mais se toca,  antes eram tantas possibilidades que chegava a ter briga para atender, só  pelo simples fato de ouvir alguém falando sabe-se lá de onde.

Quando meu pai comprou o telefone e a linha,  ficamos todos felizes em casa.  Era uma maravilha poder falar com alguém de longe sem precisar implorar o vizinho para emprestar o dele.

E quanto o telefone  tocava então; quantas surpresas poderia nos vir do outro lado da linha.

As vezes um parente para saber ou dá notícias, as vezes o senhor do mercado lembrando da conta vencida, aí era ruim. As vezes uma paquera tanto um sim ou um não para o seu convite para sair. Podia ser um amigo chamando para ir no baile.  Quantos bailes eu fui?

O Telefone (O hoje chamado fixo) era pura sensação.

Uma vez me lembro bem, uma amiga da minha mãe ligou pra ela as seis da manhã porque me viu no táxi e achou que tinha acontecido alguma coisa em casa. Eu estava voltando da farra de sexta, só isto kkkk.

O Telefone era algo mesmo incrível pra nós. Até os trotes eram engraçados e sem maldades.

Hoje o telefone fixo, tornou-se meio que um estorvo pra gente.

Nós ainda temos.  Minha mãe não se adaptou aos celulares e ainda usa o telefone para conversar com algum parente que ainda está vivo ou com as suas filhas quando quer.

Hoje as possibilidades do telefone se tornaram finitas, poucas.  Em sua maioria as chaturas das ligações de marketing querendo enviar algum produto pra gente

e  as empresas de cobranças via telefone, como são insuportáveis.

Uma vez procuraram pelo meu pai. Minha irmã  disse que ele já era falecido e tiveram a audácia de perguntar que horas podiam falar com ele.

Ah o telefone,  quantas juras de amor já lhe foram trocadas de um lado para o outro?

Quantas notícias boas já recebemos?

Quantas possibilidades tínhamos.

Agora és um estorvo. Um toque, um mal agouro. Será que fulano morreu? Morreu não,  finalmente descansou?

Pois é,  o tempo passa e como o telefone já não trazemos na vida  muitas possibilidades.

Mas continuamos por aí. Quem sabe numa versão mais moderna. Destas que tem nome estrangeiro. Destas que se pode carregar para qualquer lugar e sem surpresa,  pois quanto toca a gente já sabe quem é.

 

Por Paulo Lopes

16/09/2020

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