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Previsão para o futuro!

Previsão para o futuro!

Se você me perguntar como tudo isso foi acontecendo, como pode existir tanto amor nas palavras que escrevo dedicadas a você, em meus olhares que sempre te fitam com bastante emoção, hora esperançosos, hora melancólicos, pedir que eu te explique absolutamente tudo o que sinto por você, como isso foi se desenvolvendo, cristalizando, como o meu coração se enche de alegria e vontade de futuro toda vez que está ao teu lado, certamente não saberei te dar uma resposta muito ilustrada sobre isso. Nunca saberei explicar o que acontece, como se forma a magia deste amor, a áurea de quando estamos perto um do outro, a alegria que nos contorna e que paralisa o tempo. Que bom é o cheiro de flores que domina o ar e me impregna de felicidade!

Confesso que eu não costumo me sair muito bem quando tento explicar sentimentos, paixões, meus amores – sejam eles futebolísticos, humanos, políticos ou algo do gênero –; mas também não me ocupo de forma alguma em tentar me tornar um expert nisso, nessa coisa de tornar científico, teorizado e explicado os temas que só o coração entende. Não obstante, uma dissertação sobre o meu amor por você talvez te encorajasse a segurar minha mão com mais firmeza e menos desconfiança, tornando-a um esteio para a sua vida: seria uma espécie de parceria academia-coração. Quem sabe uma obra mais literária e menos técnica, com citações de poemas e pitadas de cânticos de amor dos orixás, ao invés de sociólogos e economistas recortados entre aspas, te aproximasse mais de mim.

Talvez eu não tenha todas estas bibliografias para te indicar, nem possua as provas mais científicas e racionais para lhe apresentar, não; minha pasta está vazia de livros famosos e garantias impressas em folhas de papel que decanos e eminências canonizaram no meio em que as “letras frias” valem mais do que as palavras quentes e sujas de vérnix que nascem desde o coração. Apenas possuo a mente livre e cultivável, somada a um órgão bem-disposto guardado sob um peito que parece pequeno demais toda vez que penso em te acompanhar pelas temporadas de plantação e colheita que ainda teremos nesta vida.

Se tu aceitas a minha companhia e cumplicidade em tua vida, porém, é justo e coerente que saibas, por isso lhe apresento a seguir a análise do que pode ser o nosso futuro. Antes, no entanto, cabe salientar que não pretendo fazer aqui misticismo ou futurologia, jamais. Atrevo-me apenas a ler a história com um pouquinho de prosápia, apreender o presente e vislumbrar para o amanhã as perspectivas que ora a vida nos apresenta. Esclarecido isto, é certo que, se casares comigo, não levarás uma vida de Grace Kelly, primeiro porque eu não sou nenhum Príncipe Rainier, e, em seguida, pelo fato de preferir os sobrados com grandes janelas de Minas às mansões de Monte Carlo. Também porque, na nossa provável mansão – dessas vendidas pela Caixa Econômica Federal, de, talvez, três cômodos: um nosso, outro para as crianças e outro um escritório de trabalho e criação compartilhado – não necessitaremos de súditos e empregados para nos pedir benção todos os dias. Sendo um pouco otimista, e se a especulação imobiliária permitir, poderemos nos mudar para um apartamento maior ou uma casa, quiçá ter até um atelier, um jardim para nos entreolharmos com ternura enquanto procuramos minhocas e admiramos borboletas. E isso antes dos cinquenta e cinco e das crianças nos abandonarem!

Ademais, é bem provável que não viajemos todos os anos para a Europa. Sinto lhe informar, mas ecoturismo na Ásia ou Oceania? Esquiar nos Alpes suíços? Surf nas Bahamas? Hum, com duas ou três crianças? Fora de cogitação, pois comprometeríamos toda a renda de um ano, ou mais do que isso. Mas quem sabe um passeio em Cuba se torne algo real e bem próximo da gente. Se economizarmos um pouquinho por mês passearemos em nuestra Ilha bem rapidamente e, tomara Deus, com o socialismo ainda pujante. Os meus amigos economistas poderão nos ajudar com um cálculo de poupança para isso. Ah, e a famigerada Buenos Aires, topa o frio de julho ou prefere o frescor de abril? Está bem, fica combinado assim então: Argentina e Chile de uma só vez! E a minha querida Rússia, se planejarmos para o verão, me acompanhas até o Palácio de Inverno?

Como pôde ver, não está nas nossas escrituras levar uma vida típica da nobreza parasitária europeia. Mas, se seguires comigo, por certo a nossa casa de Ouro Preto será sempre uma estância de amor, um exemplo para o quarteirão, e nela nunca faltará uma taça de vinho, um pedaço de pão, alguns livros e muita paixão.

 

Por Igor Figueiredo

 

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