Um desabafo; uma reflexão; e uma prece.

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Um desabafo; uma reflexão; e uma prece.

Confesso que perdi toda a inspiração que me impulsionava, ainda na parte da manhã, pois recebi uma angustiante notícia sobre a saúde de um grande amigo, e irmão (de laços espirituais). Segundo a notícia que me chegou, ele teve um AVC – sozinho em sua casa (pois ele mora sozinho) – e, ao desmaiar, ele prendeu um dos braços em um canto entre a pia, e a parede, o que prendeu a sua circulação por 3 dias, já que esse foi o tempo que demorou para procurá-lo em sua casa.

Devido a esse tempo todo com a circulação do braço obstruído, meu amigo terá que amputar o seu braço, uma vez que o mesmo foi acometido de uma gangrena. A angústia de sua tragédia está no fato do mesmo ser uma pessoa, extremamente, independente, e envolvido em inúmeros projetos de cunho espiritualista, e humanista.

Trata-se de um autêntico desprendido, e altruísta, não por moda, e/ou holofotes, mas por sua natureza que grita, diuturnamente, em uma inquietante tentativa de ser útil às pessoas. Falo, por isso, sem pestanejar, que ele é uma das pessoas mais encantadoras, educadas, e gentis que eu já conheci.

Esse fato, já destacado acima, mais a triste realidade de ele ter passado 3 dias sem comer, beber, e de ter ainda que amputar o seu braço, me envolveu em uma “nuvem” de  raiva, ceticismo, e muita mágoa – me trazendo algumas indagações, que mesmo sendo rasas, são nos momentos de ‘penumbra’, que elas vêm á tona:

  • Por que levamos uma vida abnegada, e disciplinada, para no “fim” sermos lançados em uma “tempestade perfeita” de Caos, e destruição?
  • Por que dedicar a vida a si, e aos outros, uma vez que no final, a incerteza será a coisa mais certa em nossas vidas?
  • Pra quê estar sempre entre as Colunas da Misericórdia, e da Disciplina, uma vez que a Misericórdia quase sempre não nos alcança, e a Disciplina é interrompida tão logo o Anjo da Destruição respira o seu hálito em nossas narinas?
  • Pra quê ler, estudar, refletir, meditar, e realizar orações (ou rituais), sendo que isso, realmente, não nos livra do “Mal que assola o Meio Dia”, e nem da “peste perniciosa”?
  • Pra quê chegar no Alto da Montanha, e descobrir que uma simples areia (ou monte de poeira) jogada pelo chão pode me levar a despencar até o início de toda a caminhada?

O fato é: a nossa vida é efêmera, e quaisquer práticas, bons hábitos, e iniciativas nobres não nos fará ter vidas menos efêmeras que as dos outros! A doença vai vir; as dores virão; medos, e traumas, cedo ou tarde baterão à porta; a raiva dará a sua cara, tão logo seja provocada; a emoção, e o ciúme aparecerão; de modo geral: as tragédias nunca deixaram de existir, tanto na vida de um ‘homem comum’, Como na vida de um abnegado espiritualista (iniciado).

Alguém perguntaria: então, pra quê se dedicar tanto, se o espiritualista não tiver milagres em sua vida; prosperidade estonteante; uma saúde de ferro (quase uma imortalidade); sucesso profissional; popularidade social; entre tantas outras benesses?

Resposta: a verdadeira vida espiritual, é uma vida voltada para dentro, na qual quando se fala em Baqueta Mágica estamos falando em Vontade; quando se fala em Círculo Mágico, estamos falando da Consciência do Magista; quando falamos em Espada, estamos falando da Inteligência do iniciado; quando falamos em Riqueza (ou Padrão de Riqueza), estamos falando de uma base material, pré-estabelecida pelo iniciado, para possibilitá-lo realizar a sua Aspiração Espiritual (ou Mágica).

Quando falamos em Ressurreição, estamos falando em “acordar do sono” aquelas pessoas que morreram espiritualmente; quando na bíblia fala-se em fazer um cego voltar a enxergar, trata-se da “cegueira espiritual”, e não da cegueira física, por exemplo.

A “sombra” da doença, ou da morte física sempre existirá na vida de todos, independente da espiritualidade, ou não que alguém possa ter; a única diferença é que a busca de um verdadeiro espiritualista é pelas suas Verdades Internas, e por sua Ressurreição, e imortalidade espiritual, e não física.

Quando se fala em Reconstrução do Templo de Salomão, se fala da Reconstrução de nossos Atributos Internos, ou, de nossas Armas Mágicas (ou Espirituais), e não de coisas físicas, e perecíveis. O que nos torna Deuses não é a nossa imortalidade física, já que isso é impossível, mas a Força de nossa Vontade de sempre Ir, de Encarnação em Encarnação – sempre subindo, sempre indo em direção ao Cumprimento de nossas Missões.

Os Deuses Egípcios eram desenhados calçados de Sandálias, com tiras que se assemelhavam com a Cruz Ankh, e por isso a Morte era entendida como a continuidade da Caminhada dos Deuses. Por isso que a Vida depende da Morte, e que esta é a garantia da Continuidade do Trabalho do Deus em questão.

Ser Coerente, Justo, Misericordioso, Disciplinado, ter Vontade Forte, e Inteligência (entre outros atributos) – não nos livra das vicissitudes da Vida; mas, ao contrário, nos aproxima cada vez mais da humanidade, e da percepção do Sofrimentos da Mesma, é por isso que o Mestre do Templo (Magister Templi) são chamados de Mestres do Sofrimento, cujo atributo de enorme importância é a ‘Visão da Dor’.

Acredito, e desejo, profundamente, que o amigo que me inspirou a escrever esse texto, embora esteja com o corpo físico doente, esteja com a Alma Forte, e a Vontade Poderosa como a Estrela Sothis!

 

Uma prece á melhora de meu amigo Antônio Vicente.

 

J. Kudram

 

 

 

 

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